Metamorfose, "mudança de forma", vem do verbo μεταμορφόω, "eu tranformo". Marca do sobrenatural, do maravilhoso e do fantástico, é um dos
As principais fontes para o estudo das metamorfoses são os documentos iconográficos (cerâmica, relevos, mosaicos, etc.) e a literatura, especialmente a do Período Helenístico em diante. Em Homero, os relatos de metamorfoses são raros; em Hesíodo e Píndaro, um pouco mais freqüentes; nos poetas trágicos, pouco mais de vinte relatos podem ser encontrados. Os principais autores tardios são Apolônio de Rodes (séc.
Muitos dos relatos tardios são "etiológicos", i.e., explicam a existência de alguma coisa, como uma ave ou uma árvore, ou "terminais", i.e., marcam o desfecho da história. Um tipo especial de relato terminal, a transformação em estrela ou constelação, é chamado de catasterismo.
Eis uma classificação simplificada das metamorfoses míticas (1) e alguns exemplos:
| MAMÍFEROS | Actéon, Calisto, Ió; Licáon, os piratas de Dioniso, os companheiros de Odisseu, Lúcio (2) |
| AVES | Filomela e Tereu, Aléctrion, Plêiades (3) |
| PLANTAS | Fílira, Dafne, Esmirna-Mirra (árvores); Adônis, Jacinto, Narciso (flores) |
| PEDRA | Níobe, Alcmena, vítimas de Medusa, Cércopes, Licas |
| ÁGUA | Ácis, Lâmia |
| MUDANÇAS DE SEXO | Tirésias, Caineus (literais); Aquiles, Penteu, Héracles ( |
| ALTERNADORES DE FORMAS (shape-shifters) | Proteu-Nereu, Tétis, Nêmesis, Dioniso |
| DIVINIZAÇÕES | Ino-Leucotéia, Ifigênia-Hécate, Héracles |
| MISCELÂNEA | Egina (ilha), Aracne (aranha), Cadmo e Harmonia (serpentes), espartos e mirmidões (homens), Titono (cigarra), Órion e Plêiades (estrelas) |
| PSEUDO-METAMORFOSES | Zeus (aventuras amorosas), Deméter (fugindo de Posídon?), Aqueloo |
Para os antigos, a metamorfose era um dos mais importantes aspectos da ação divina; só os deuses podiam metamorfosear a si próprios e aos outros. Os deuses metamorfoseavam-se ou para atingir seus desígnios (Zeus e suas amantes), ou por piedade (Níobe), ou punição (os piratas de Dioniso) ou, ainda, como um sinal para os homens.
As metamorfoses podiam ainda ocorrer de uma outra maneira: através da magia. Exemplos típicos podem ser encontrados no mito de Circe (cf. Odisséia) e do asno Lúcio (cf. textos de Luciano e Apuleio).
O papel das transformações no mito tem sido estudado desde a Antigüidade. Com o advento dos estudos antropológicos do século XIX, esse fenômeno foi considerado evidência de um primitivo estágio da religião grega (
Estudos recentes, em especial os de Irving (o.c.), consideram a metamorfose um importante elemento narrativo que, além de ilustrar as mudanças de categoria exigidas pela narrativa mítica, evoca respostas imaginativas, emocionais e torna a história excitante, tocante ou divertida...
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