Wilson A. Ribeiro Jr.

Discurso de Satã, de John Milton

O poeta inglês John Milton (1608–1674) publicou Paradise Lost, poema épico em versos brancos, em 1667. Reproduzo aqui os vv. 242-63 do Livro I de uma edição posterior.

Tradução

É esta a região, este o solo, o clima, Disse então o arcanjo perdido, esta a morada Que devemos trocar pelo céu, esta deplorável treva 245 Por aquela celestial luz? Que seja, já que ele, Agora o soberano, pode dispor e mandar O que deve ser correto: melhor bem longe dele, a quem a razão igualou e a força tornou supremo acima de seus iguais. Adeus, campos felizes 250 Onde a alegria sempre está: salve, horrores, salve Mundo infernal, que teu mais profundo inferno Receba teu novo possuidor: alguém cuja mente não mudará nem pelo lugar nem pelo tempo. A mente é seu próprio lugar, e em si mesma 255 Pode fazer do inferno um céu, e do céu um inferno. O que importa onde, se eu sou ainda o mesmo, E o que serei, tudo, porém menos do que ele A quem um banho de trovões tornou maior? Aqui pelo menos Seremos livres; o todo-poderoso não construiu isto 260 Aqui para ter inveja, por isso não nos expulsará: Aqui podemos reinar seguro, e para mim Reinar é digno de ambição, embora no inferno: Melhor reinar no inferno do que servir no céu.

Texto original +/-

Referência

John Milton, Paradise Lost, London, John Sharpe, 1817.

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