Wilson Alves Ribeiro Jr.
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a antiga arte da cura
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asclépio, hígia, devotos. anônimo, 325-300 a.C.
© Kathleen Cohen, World Images Kiosk
Minuta do MINI-CURSO de 4h, ministrado de 21 a 24 de maio de 2002 em Araraquara (SP), durante a XVII Semana de Estudos Clássicos da Regional SE-2 da SBEC.

Ementa publicada em Scripta Manent, Araraquara, v. 3, n. 1, p. 3, 2002.

  1. Mito e terapia: deuses médicos, heróis médicos e templos da cura.
  2. Filosofia e terapia: a teoria dos humores e o todo orgânico.
  3. A terapia hipocrática: o uso das plantas e outros tratamentos.

Introdução

Somente os gregos, de todos os povos que emergiram durante a Idade do Bronze do Mediterrâneo Oriental, foram capazes de desenvolver a arte da cura além do simples empirismo pré-racional e mágico que caracterizava culturas avançadas como a dos egípcios e mesopotâmios.

Serão apresentados e discutidos textos e imagens que ilustram a passagem, na Grécia Antiga, das terapias pré-racionais e míticas para os racionais métodos terapêuticos empregados pelos médicos hipocráticos.

Mito e terapia

Até o final do Período Arcaico, aproximadamente, os gregos utilizam apenas métodos terapêuticos não-racionais, assim como os egípcios e mesopotâmios. Os famosos "templos da cura", dedicados principalmente ao herói-deus Asclépio, espalharam-se por todos os territórios gregos. Mas, a despeito das crenças mitico-religiosas, os gregos possuíam conhecimentos empíricos sólidos, oriundos de sua própria cultura e também das demais culturas mediterrâneas.

Filosofia, medicina e terapia

Nas últimas décadas do Período Arcaico a Medicina começou a sair da esfera da magia e a entrar no domínio da ciência. A medicina se estabeleceu como uma profissão e os médicos gregos desenvolveram conceitos racionais a respeito das doenças a partir das especulações dos filósofos pré-socráticos. O mais notável de todos eles foi Álcmeon de Crotona, que também era médico e viveu por volta de -500; os fragmentos de sua autoria que chegaram até nós são os mais antigos textos médicos da Medicina Ocidental. A fase racional da medicina grega começou por volta de -430 com Hipócrates de Cós, o "pai da medicina".

A terapia hipocrática

A medicina racional dos médicos hipocráticos dispunha de numerosos recursos para o tratamento das doenças. As idéias eram quase todas equivocadas, porém consistentes com os conhecimentos científicos da época. A terapêutica atuava em dois níveis: o do restabelecimento do equilíbrio dos humores, prejudicado pela doença, e o da remoção da causa da doença, quando possível. Um procedimento quase constante nos tratamentos era a purgação (gr. κάθαρσις, literalmente "purificação"), a eliminação dos humores nocivos. Preconizava-se quase sempre, também, uma dieta, que compreendia o estilo de vida em sua totalidade. No caso de traumas e ferimentos, procurava-se restabelecer a integridade do corpo através de cirurgias e da redução de fraturas e luxações.

Leituras recomendadas

ARISTÓFANES. Pluto (A riqueza). Trad. A.C. Ramalho. Brasília: Ed. UnB, 1999.

AYACHE, L. Hippocrate. Paris: PUF, 1992.

BARNES, J. Filósofos pré-socráticos. Trad. J. Fischer. São Paulo: Martins Fontes, 1977.

CAIRUS, H.F. - Da natureza do homem / Corpus hippocraticum. História, Ciências, Saúde, v. 6, n. 2, p. 395-430, 1999.

GOUREVITCH, D. et al. De l'Art Médical. Trad. d'Émile Littré. Paris: Librairie Genérale, 1994.

HOMERO. Ilíada. Trad. E. Lassère (versão portuguesa de O.M. Cajado). São Paulo: Círculo do Livro, 1982.

HOMERO. Odisséia. Trad. M. Dufour (versão portuguesa de A.P. Carvalho). São Paulo: Abril Cultural, 1978.

JOLY, R. Hippocrate. Paris: Gallimard, 1964.

JONES, P.V. (org.). Mito, Filosofia e Medicina / Os médicos gregos. In: _____. O Mundo de Atenas. São Paulo: Martins Fontes, 1997, p. 285-290 e 193-195.

LONGRIGG, J. Greek Medicine from the heroic to the hellenistic age. New York: Routledge, 1998.

RONAN, C.A. Hipócrates de Cós e a Medicina Grega. In: ______. História Ilustrada da Ciência vol. I. São Paulo: Círculo do Livro, p. 88-100, 1987.

 
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