A um nariz, de Quevedo

O espanhol Francisco Gómez de Quevedo y Santibáñez Villegas (1580-1645), poeta barroco conceptista, revisou várias vezes o soneto ʻA una narizʼ, escrito para ridicularizar seu rival Luís de Góngora, por isso é difícil precisar a data de composição (entre 1610 e 1620, talvez?).

Tradução

Era um homem a um nariz pregado, Era um nariz superlativo, Era um nariz túnica, de escriba, Era um peixe espada muito barbado.
Era um relógio de sol mal encarado, Era um alambique pensativo, Era um elefante boca acima, Era Ovídio Nasão mais narizado.
Era o esporão de uma galera, Era uma pirâmide do Egito, As doze tribos de narizes era.
Era um naricíssimo infinito, Muitíssimo nariz, nariz tão fera Que na cara de Anás seria delito.

Texto original

A una nariz

Erase un hombre à una Nariz pegado, Erase una Nariz superlativa, Erase una Nariz Sayon, y Escriba, Erase un Peze espada muy barbado.
Era un Relox de Sol mal encarado, Erase una Alquitara pensativa, Erase un Elephante boca arriba, Era Ovidio Nason mas narizado.
Erase un Espolon de una Galera, Erase una Pyramide de Egito, Las doce Tribus de Narices era.
Erase un Naricissimo infinito, Muchissima Nariz, Nariz tan fiera Que en la cara de Anás fuera delito.

Referência

Francisco de Quevedo y Villegas, Obras, tomo III, Amberes, Viuda de H. Verdussen, 1726, p. 181.


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