Segunda canção do peregrino, de Guilherme de Almeida

O poeta brasileiro Guilherme de Almeida (1890-1969), embora modernista, nunca deixou de ser romântico e parnasiano... principalmente nos poemas da maturidade, como este.

Texto original

Vencido, exausto, quase morto, cortei um galho do teu horto e dele fiz o meu bordão.
Foi minha vista e foi meu tacto: constantemente foi o pacto que fez comigo a escuridão.
Pois nem fantasmas, nem torrentes, nem salteadores, nem serpentes prevaleceram no meu chão.
Somente os homens, que me viam passar sozinho, riam, riam, riam, não sei por que razão.
Mas, certa vez, parei um pouco, e ouvi gritar: — "Aí vem o louco que leva uma árvore na mão!"
E, erguendo o olhar, vi folhas, flores, pássaros, frutos, luzes, cores... — Tinha florido o meu bordão.

Referência

Guilherme de Almeida, Poesia vária, São Paulo, Cultrix, 1963, p. 33.


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